apresentação.

Quando surge um nó, desaparece uma fragilidade. Ou então algo deixa de estar rompido ou se emaranha. Esta era uma assertiva até há pouco tempo, irrefutável. Quem discordaria que foi unindo esforços que a humanidade se construiu enquanto ser coletivo? Mas hoje, frente aos desafios de uma pandemia, os valores destes nós são repensados. A solução imediata que se afigura é o recolhimento e o desfazer dos laços, colocando em suspenso os pressupostos de como e em que base reconstruir novas conexões.

 

O I Congresso Internacional Nós dá início a um convite interdisciplinar, construído a partir de temas que permitem várias aproximações relacionadas a manifestações e práticas culturais, como a Antropologia, Arquitetura e Urbanismo, Geografia, Turismo, Filosofia, Psicologia, Artes, afeito à amplitude das trocas possíveis quando a rede de nós se forma através de outros canais - a literatura, o cinema, a música, o teatro e as mídias digitais – e questionando-se sobre os novos paradigmas que afloram quando o mundo se conecta sem o deslocamento físico. Ele convoca pesquisadores, nesta sua primeira edição, a refletir sobre um afluxo de experiências bastante especial: os patrimônios em silêncio

 

programação.

de 21 a

23 de

abril de

2021

EM

BREVE

Prepare-se! Agora, para cada trecho que lhe descrever, sua mente partirá por conta própria, desmontando ideias pedaço por pedaço.

 

Por exemplo, poderemos construir congressos de outra maneira, substituindo ingredientes, deslocando-os, reterritorializando-os?

 

Nossa proposta é de um evento que ocorra com grande participação do público e que falas sejam entremeadas por vivências, no caso, que levem a conhecer o nosso lugar: Alagoas. 

 

Temos a expectativa, portanto, que participe do Congresso  Nós trazendo experiências de pesquisa e de reflexão mas também aberto a conhecer os patrimônios locais. Muitos deles em silêncio.

 

Assim como sugerimos na chamada do evento -  que se mostra como uma deriva por  lugares pouco frequentados pelos mecanismos de patrimonialização, ou que se abre a novas frentes para o seu entendimento -  pretendemos que o Congresso seja uma oportunidade de observar o local  onde ele mesmo ocorrerá. 

 

Foi desta forma que se escolheu como sua  sede  o  bairro de Jaraguá, onde a cidade de Maceió se iniciou. As atividades se darão na Casa do Patrimônio e em outras partes do bairro. Entre antigos galpões de açúcar, próximos do porto e do mar, será possível visitar edifícios tombados e ao mesmo tempo caminhar por ruas e becos.

 

O evento combinará apresentações no formato de mesas redondas, palestras, oficinas, conversas abertas e visitas. Estas últimas  terão suporte mas não serão guiadas, buscando que cada um desbrave paisagens. Acredita-se que as cidades e seus lugares são construídos por marcos referenciais, mas também por descobertas pessoais. Por isso,  que o fio condutor do seu explorar seja aleatório, que as regras não sejam explicitadas, que as perspectivas sejam enganosas, e que todas as coisas escondam uma outra coisa.

Parafraseando Calvino, cidades também acreditam ser obra da mente ou do acaso, mas nem um nem outro bastam para sustentar as suas muralhas. De uma cidade não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas.

 

chamadas.

Diversas são as vozes que se articulam sobre o patrimônio. Elas falam, sussurram, gritam, ou calam, ou silenciam. Entram em conflito ou se alinham em discursos hegemônicos. Dialogam ou buscam criar monopólios. Nesse sentido, os silêncios e as pausas são evocados nas lacunas dos enunciados ou mesmo no alarido diante dos bens culturais.

São nós de interesse os patrimônios reconhecidos, mas também os esquecidos, e mesmo aqueles que ainda não se configuram como patrimônio nos discursos oficiais. Assim, os nós temáticos estão estruturados em:

Nó 1: O silêncio do patrimônio reconhecido

Aborda as expressões do patrimônio, na dimensão da cidade, da paisagem, dos bens isolados e de práticas culturais, que alcançaram o reconhecimento oficial através do tombamento ou do registro, mas que passam por algum processo de silenciamento, desde ocaso físico (abandono, ruína, demolição), usos interrompidos, até práticas fragilizadas no presente pela ausência de repercussão comunitária, pela colisão com a defesa do meio ambiente ou com os processos velozes da contemporaneidade.

Nó 2: O silêncio entre vozes em diálogo

A condição de silêncio possibilita ouvir o outro. Abrange narrativas sobre: um lugar de fala; a diversidade de discursos em confluência ou em conflito sobre um mesmo bem; as reapropriações e as ressignificações do patrimônio. Aborda também as práticas que se dão através das interfaces promovidas por diferentes universos, como o da arte (literatura, cinema, música, dança) e o das redes digitais.

Nó 3: O silêncio como esquecimento e mordaça

Diz respeito a legados e manifestações marcadas por cicatrizes que se relacionam com traumas e opressão, e seus complexos processos de lembrança e esquecimento. Busca promover discussões que tangenciem, dentre outros, o tema da dissipação da memória do passado para fazer cessar uma dor, mas, também, em outra mão, para fazer calar a dor do outro e não reconhecer ou reparar o erro. Além disso, aborda temas que, do presente - vozes e manifestações vivas que persistem em vir das margens, das periferias, das minorias e dos oprimidos - são negligenciados no fazer-se ouvir ou que sofrem tentativas diretas de se verem silenciadas. Como exemplo citam-se os contextos relacionados a desastres naturais, crimes ambientais, acidentes e marcas oriundas de guerras e de exploração humana, episódios de repressão religiosa e cultural, entre outros. E o nosso próprio barulho, incomodando o calar da terra, o ritmo da natureza, a calma da atmosfera, como se tem visto abordar nos últimos meses. 

Nó 4: O silêncio dos silentes, dos mistérios

Coloca-se aberto ao patrimônio e à introspecção, mas também às manifestações culturais que aludem ao imaginário, ao fantástico, ao sagrado. Pode se referir à lacuna que abriga o silêncio: a pausa, o esquecimento e o ocultamento que escapam, intencionalmente ou não, dos processos de representação. Abrange discussões que envolvem lendas, ritos, religiosidade, àquilo que tende à impenetrabilidade institucional. Aborda também o patrimônio na dimensão da imagem e das sensorialidades; além daquela que pressupõe deciframentos, como os processos de compreensão das pinturas rupestres, da atribuição de autorias, dentre outros. 

Nó cego

Outros silêncios...

...aqueles que não se fazem presentes nos nós anteriores.

PROPONHA-NOS SUA VISÃO DE SILÊNCIO!

 
 
 
 
 

calendário.

O I Congresso Internacional Estudos da Paisagem – Nós, será realizado no período de 21 a 23 de abril de 2021, com atividades que ocorrerão segundo programação a ser disponibilizada no site do evento, próximo à sua realização.

tabela de valores

                                                                             Até 18/12/2020          Até 12/03/2021          A partir de 13/03/2021

Profissionais                                                         200,00                        225,00                               250,00
Doutorandos                                                           150,00                   
     175,00                               200,00
Mestrandos                                                             100,00                         125,00                                150,00
Graduandos                                                              
 50,00                           65,00                                  80,00

Os autores deverão efetuar o pagamento da inscrição até a data limite do envio do artigo para que seja garantida a publicação.

20 JUL 2020

Chamada para submissão de resumos (400 palavras) e abertura do primeiro período para inscrições.

18 OUT 2020

Prazo limite para submissão de resumos.

30 NOV 2020

Resultado da avaliação cega por pares.

02 DEZ 2020

Início do submissão de artigos completos.

18 DEZ 2020

Abertura do segundo período para inscrições.

28 FEV 2021

Prazo limite para submissão de artigos completos.

13 MAR 2021

Abertura do terceiro período para inscrições.

NOVO PRAZO!

 

submissão.

AVISO! Pelo menos uma pessoa precisa fazer a inscrição do evento para que o trabalho seja divulgado nos anais.

CHAMADA DE TRABALHOS

Convidamos os pesquisadores das várias áreas que permeiam e se relacionam com manifestações e práticas culturais a refletirem sobre os afluxos dos patrimônios em silêncio e submeterem trabalhos inéditos em conformidade com os Nós temáticos do evento.

O Nó Temático deverá ser definido durante a submissão do resumo pela plataforma https://doity.com.br/nosicongressointernacionalestudosdapaisagem/artigos, até 18 de outubro de 2020. Poderá ser anexada ao resumo até no máximo uma imagem síntese.

Cada pessoa poderá participar de no máximo quatro propostas, sendo uma como autor(a) e três como co-autor(a). Cada proposta poderá ter no máximo quatro proponentes.

As propostas serão duplamente avaliadas às cegas e os trabalhos selecionados pela Comissão Científica deverão ser submetidos no formato de artigo completo, até 28 de fevereiro de 2021, para garantir a apresentação oral e participação no e-book do evento. As sessões temáticas serão limitadas. Os artigos completos deverão seguir as normas do template disponíveis abaixo. Os Nós temáticos são:

O silêncio do patrimônio reconhecido

O silêncio entre vozes em diálogo

O silêncio como esquecimento e mordaça

O silêncio dos silentes, dos mistérios

Outros silêncios

Os certificados de apresentação e/ou participação serão disponibilizados após a apresentação no site do evento ou enviado aos e-mails dos autores. O e-book será disponibilizado na página do congresso.

 
 

comitê científico.

Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1972), mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1988) e doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1999). Livre docente pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (2018). Professor dos cursos de graduação e de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde orienta alunos de mestrado e doutorado na Área de Concentração Paisagem e Ambiente. É membro fundador do Laboratório Paisagem, Arte e Cultura – LABPARC/ FAU-USP, o qual coordenou de 2002 a 2006, desenvolvendo estudos teóricos sobre paisagem e pesquisa sobre “Córregos Ocultos” . Tem experiência profissional em projetos e consultorias em Paisagismo, atuando principalmente em espaços livres, áreas verdes e parques públicos. Colabora com a Diretoria Científica da FAPESP emitindo pareceres sobre projetos de pesquisa enviados à Fundação.

 
 
Gradient

realização.

Grupo de Pesquisa Estudos da Paisagem

Estuda recortes paisagísticos considerando seus elementos, dinâmicas, pessoas e temporalidades. Registrado no CNPq desde 1998, insere-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas e é um dos suportes do seu Programa de Pós-Graduação, composto de um curso de mestrado (em Dinâmicas do Espaço Habitado) e de doutorado (em Cidades), ambos reconhecidos pela CAPES em 2002 e 2012 respectivamente.

Saberes em movimento - Nós

Laboratório de Criação Taba-êtê

Nas investigações produzidas pelo Grupo, consideram-se os elementos materiais e intangíveis da cultura paisagística, tendo como ferramentas prioritárias a iconografia, os relatos de época e a observação sensorial e afetiva dos espaços. Viagens e registros de imagens, a captação de depoimentos e de sons, servem de base não só para a investigação mas são reformatados em produtos culturais.

Laboratório de Criação Taba-êtê

O Laboratório de Criação Taba-êtê funciona como um desdobramento do Grupo voltado para o design de produtos. O nome, pequeno poema visual, significa “grande taba”, e era como os indígenas denominavam as cidades erigidas pelos colonizadores. As propostas gráficas e artísticas buscam transformar as ferramentas de trabalho de pesquisa científica do Grupo – viagens e imagens – em criações que visam a socialização do conhecimento. Aproximando corpo e mídias, dentre essas criações situam-se exposições de cunho interativo, objetos ludo-didáticos, livros, vídeos e instalações, cuja produção tem recebido o apoio do CNPq, Capes, Fapeal, Iphan, Banco do Nordeste do Brasil e Petrobrás.

Saberes em movimento - Nós

As viagens iniciais do Grupo Estudos da Paisagem, percorrendo cidades, foram ao encontro, dentre outras coisas, de um elemento singular: o convento franciscano. 

Como seu inspirador, trata-se de uma arquitetura que se faz descalça, no contato com o mundo, com as pessoas, com a cidade, com a terra. Sendo múltiplo, é um ponto que se fecha em si chamando à convergência e ao recolhimento, mas que também se abre e se conecta em rede com outros quando os pés se colocam em caminho (“in via”). A figura de Francisco, atualizada para o presente surge como convite a nós conectores que buscam entrelaçar lugares, culturas e países diversos em torno de uma experiência de vida compromissada com os valores da simplicidade.

O núcleo Saberes em Movimento – Nós, encontra no espaço e na paisagem suas forças motrizes e pontos diferenciais de partida de interlocução, desde as parcerias acadêmicas até o contato com a sociedade nos seus mais diversos níveis de organização e diversidade. 

DINÂMICA DO ESPAÇO HABITADO (DEHA)

FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS